Veja o vídeo do Congresso!

O nosso congresso estendeu-se por 12 horas. Agora pode ver o vídeo do mesmo e ouvir separadamente os oradores que quiser.


Para ver e ouvir os oradores seus preferidos clique em ON DEMAND e procure os respectivos nomes. Clique sobre a foto de cada um deles e assim passa imediamente da ver/ouvir a respectiva intervenção.

As fotos!

Um grupo animado de participantes e palestrantes!

Intervalo musical
Dra Graziela Gilioli Doutor Nelson Lima Dra. Daniela Beirão Reis
Dr. Luis Correia (Ministério da Educação)

Dados oficiais do Congresso

Números:
Tivemos uma frequência média no salão que oscilou, nas 12 horas que durou, entre os 230 e 310 participantes. Através da transmissão ao vivo na Net, via BroadCast, tivemos mais 681 visitantes de vários países (entre eles Japão, Brasil, Africa do Sul, Espanha e ainda Madeira, Açores, outras regiões do país).
No salão estiveram presentes representatantes de várias universidades nacionais, médicos, psicólogos, educadoras de infância, auxiliares de educação, psiquiatras e terapeutas da fala, além de muitos pais e encarregados de educação.

O nosso Congresso: êxito absoluto!


Através da net poderá rever, em diferido, cada orador que esteve no nosso congresso clicando em "on demand". Procure na coluna da direita!
ORADORES PRESENTES
Augusto Cury
Psiquiatra e escritor, com 9 milhões de livros vendidos em todo o mundo, criador da teoria da Inteligência Multifocal, autor best seller com obras traduzidas em mais de 40 países.
Luis Correia
Director Regional de Educação do Algarve (Ministério da Educação)
Isabel Guerreiro
Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Portimão
Albino Almeida
Presidente da CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais).
Graziela Gilioli
Socióloga e escritora, autora do projecto Mentes Flexíveis.
Nelson Lima
Neuropsicólogo, investigador, fundador e coordenador nacional do Instituto da Inteligência.
Ricardo Monteiro
Pedagogo, investigador, presidente da Associação Nacional de Pedagogia da Universidade da Criança.
Daniela Beirão Reis
Licenciada em Engenharia, professora de Matemática, coordenadora do Plano de Acção da Matemática, do Laboratório de Matemática e do Clube da Matemática na escola pública onde lecciona. É autora do projecto "Educar pelo Exemplo" destinado a pais e professores.
Anna Karina Heim-Monteiro
Gestora escolar Universidade da Criança
+
Especialista da Mathnasium
Representantes da Escola da Ponte

Veja e ouça Augusto Cury

Já está à venda nas livrarias o novo livro de Augusto Cury, O CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA, com prefácio de Nelson Lima, do Instituto da Inteligência. Augusto Cury é membro honorário da nossa Academia de Sobredotados.
Se não foi a Portimão, assista à transmissão, em diferido, do nosso Congresso (10 horas de duração) ou encomende o DVD.

Alguns dos nossos congressistas!

Fotos (da esquerda para a direita): Ricardo Monteiro (Instituto da Inteligência/Universidade da Criança), Anna Karina (Universidade da Criança), Augusto Cury (Psiquiatra/Escritor), Graziela Gilioli (Socióloga/Escritora, projecto Mentes Flexíveis) e Nelson Lima (Coord.Nac.Instituto da Inteligência e Future Intelligence Management, Reino Unido).

CONFAP no nosso 1º Congresso Nacional!

O Dr. Albino Almeida, presidente da CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais), esteve presente no 1º Congresso Nacional do Instituto da Inteligência na qualidade de orador. Foi dos mais aplaudidos!
Activista e acérrimo defensor dos direitos das crianças e das famílias no que concerne à educação, o Dr. Albino Almeida abrilhantou um congresso que teve como tema central "A Educação e o Homem do Futuro".

Graziela Gilioli no nosso Congresso

A socióloga e escritora Dra. Graziela Gilioli, autora do livro O Pequeno Médico e mentora do Projecto Mentes Flexíveis, e que integra, desde 5 de Julho, o nosso corpo de colaboradores permanentes na área de formação, foi uma das oradoras principais do congresso tendo a seu cargo o tema "Educação – A dialéctica entre a perspectiva humanista e a perspectiva tecnológica”.
Para visitar e acompanhar a página pessoal da Dra. Graziela Gilioli clique > aqui!

Estamos preparados para a Sociedade do Conhecimento?

A complexidade do mundo actual e as profundas mudanças que se observam, permitem concluir que o futuro trará exigências cada vez maiores para as organizações humanas e as pessoas em geral.

Em poucos anos passámos de um mundo baseado na indústria e transporte para outro com base no conhecimento, na informação e na inteligência.

Como alertou o professor Keith Devlin, autor de Goodbye Descartes, "essa pesada dependência do conhecimento e da informação aumentará nos próximos anos". E chama a atenção para o facto de, na nossa Era, nenhum cidadão conseguir funcionar devidamente sem uma compreensão básica da informação e avaliação do que é necessário para tornar esta última em conhecimento. Como veremos, isto exigirá uma nova política de Educação e novos modelos de Ensino.

Thomas Stewart acentua a importância das novas ferramentas da sociedade. "O conhecimento - diz - tem muito mais valor e é mais poderoso do que os recursos naturais, as grandes fábricas ou as chorudas contas bancárias". Nasceu, por conseguinte, um novo "capital": o capital intelectual. Este é constituído por material intelectual: conhecimento, informação, ideias, propriedade intelectual, processos, especialização, tecnologia e experiência. Na nova sociedade, estes materiais geram riqueza. São uma espécie de matéria-prima da economia.

Qual o impacto que isto tem, por exemplo, nas empresas (a mais representativa e mais comum das organizações humanas)? Tremendo. Peguemos num exemplo: a Nike, um dos maiores e mais famosos fabricantes de calçado desportivo. Na realidade, a Nike não fabrica nada. Se você é um operário da indústria de calçado escusa de escrever-lhe a candidatar-se para um lugar na linha de fabrico. A Nike não precisa de operários para nada. O trabalho central da empresa é investigação e desenvolvimento de novos modelos de calçado desportivo, design, marketing e distribuição. Quem então fabrica os produtos da marca Nike? Outras empresas com quem a Nike estabelece contratos de produção. Como a Nike muitas outras empresas seguem este estilo de gestão. Um outro caso exemplar é a dos modernos aviões comerciais. São totalmente projectados em computador sem desenhos nem maquetes feitas manualmente e são pilotados por computadores a maior parte do tempo de cada viagem. O combustível é gasolina mas o avião voa e depende de informação. Finalmente, vejamos o caso dos automóveis actuais. Eles têm mais microchips do que quaisquer outras peças e a sua electrónica custa mais do que o aço que os compõem. Os microchips, que hoje estão em todos os aparelhos electrónicos, não mais são do que armazéns de informação útil.

Como refere o professor T. Stewart, "a força muscular, o trabalho das máquinas, o próprio trabalho produzido pela energia eléctrica estão a ser contínua e progressivamente substituídos pela inteligência".

Podemos dizer que vivemos uma revolução à escala planetária só que muito mais rápida, mais ampla e mais demolidora do que a Revolução Industrial do século XIX. As novas "ferramentas" estão a crescer exponencialmente mais depressa e a tornar-se mais baratas e mais poderosas do que alguma vez aconteceu na história humana.

O investigador James Canton, presidente do Institute for Global Futures, diz que os novos "tijolos" da economia são quatro: bites, átomos, genes e neurónios! "Eles representam - escreve Canton - o afastamento do aço e do petróleo do passado e apontam-nos uma remodelação radical na economia e do poder das novas ideias".

Uma revolução inimaginável
Numerosos estudos sustentam que o futuro próximo e a médio prazo (10 a 15 anos) será moldado por 8 inovações determinantes: a biomimética (fabrico de produtos a partir da imitação dos mecanismos na Natureza), a fotónica (utilização da luz para criar produtos), a nanobiotecnologia (combinação de nanotecnologia com a biologia), a genómica orientada (utilização da informação genética para produzir fármacos e alimentos), a biodetecção (utilização da informação biológica para detectar riscos), os neurodispositivos (micromáquinas para reparar funções cerebrais), nanoenergia (para a criação de combustíveis renováveis) e encriptação quântica (para protecção de informação, produtos e pessoas).

Para quem não esteja a par desta terminologia técnica pode pensar que estamos a descrever um mundo de ficção. Olhando à nossa volta parece que vivemos ainda num mundo simples e acessível ao nosso entendimento. Mas a verdade é que há grandes vagas de mudança a ocorrerem longe dos nossos olhos. De facto, como refere James Canton, muitas das inovações que vão mudar o nosso mundo ainda não foram captadas pelo "radar das empresas e dos países", e muito menos pelo cidadão comum. Também aconteceu o mesmo nas primeiras décadas da Revolução Industrial. E depois, quase de um dia para o outro, a vida das pessoas mudou, os transportes sofreram um forte impulso, surgiram milhares de fábricas e novos produtos, criaram-se novos empregos e escolas para um mundo novo e quase desconhecido. Nós estamos num estádio similar. Só que agora podemos ter a certeza de que as mudanças vão ser muito maiores.

E isto faz-nos regressar ao tema inicial: a informação, o conhecimento e a inteligência, isto é, o capital intelectual; algo que cada um de nós possui e que pode (e deve), obviamente, aumentar. A nova sociedade (da Informação, do Conhecimento, da Inteligência) exige capital humano talentoso e especializado, gente com "cabeça", inovadora e autónoma. É que no futuro próximo os empregos exigirão capacidades ainda mais avançadas, mais instrução e formação mais sofisticada.

Segundo o governo norte-americano mais de 75% dos actuais empregados dos Estados Unidos vão necessitar de receber nova formação para poderem manter os seus empregos. Estima-se que, dentro de 8 anos, cerca de 80% de todos os empregos exigirão algum tipo de formação superior. Problema (para os americanos e não só): as escolas não estão a preparar adequadamente a futura força laboral para competir na economia global. Este é o maior desafio do ensino nos próximos tempos. Nos Estados Unidos e não só, obviamente.

Bibliografia:
Canton, J. The Extreme Future, IGF, 2006
Devlin, K. Info-Senso, Livros do Brasil, 1999
DeMarco, T. Human Capital, Unmasked, NYT, 1996
Stewart, T.A., Capital Intelectual, Sílabo,1999

O futuro do trabalho!

Outros temas do Congresso!
Todos analistas convergem na opinião de que o Emprego/Local de trabalho apresentará as seguintes características:
- Multirracial (as emigrações conduzem a empresas onde trabalhadores de diferentes nacionalidades e raças se misturam e trabalham em conjunto);
- Multiplicidade de profissões (cresce a variedade de especialidades e profissões);
- Desmotivação para o trabalho (o trabalho, reduzido à obtenção de um salário, tende a desinteressar e a desmotivar);
- Gestão mercenária (os melhores gestores são como os treinadores de futebol saltando de uma empresa para outra em função do seu potencial e ganhando somas milionárias);
- Trabalho 24 horas! 7 dias por semanal 365 dias (cada vez mais aumenta o número de empresas e serviços que trabalham ininterruptamente; muitos gestores estão quase sempre on une com a empresa e os seus negócios);
- Obsolescência rápida de conhecimentos (os conhecimentos académicos estão a perder rapidamente actualidade devido ao avanço da ciência e das descobertas);
- Necessidade de reaprendizagem constante (já não chega concluir um curso; temos de nos manter em permanente formação para estarmos actualizados);
- Teletrabalho (trabalho através da intranet e da internet).

O Trabalhador do Século XXI
Vivemos num mundo diferente do da Era Fabril. Agora a sociedade do conhecimento e da informação exige trabalhadores mais competitivos e adaptáveis.
O consultor de recursos humanos Eugénio Mussak sugere que os trabalhadores e gestores do novo século devam possuir bem consolidadas as seguintes aptidões e competências:
- flexibilidade para se adaptar às mudanças e alterações que o mundo do trabalho exige;
- criatividade para poderem ser inventivos e inovadores;
- informação permanente para se manterem actualizados;
- habilidades de comunicação;
- grande sentido de responsabilidade;
- espírito empreendedor, com grande capacidade de iniciativa;
- habilidade para serem sociáveis e saberem adaptar-se a diferentes tipos de pessoas e culturas.

O sistema escolar é uma CONSPIRAÇÃO mal disfarçada!

A maioria do trabalho remunerado no mundo capitalista é obtido nas empresas. Elas constituem a principal fonte de rendimento de muitos milhares de milhões de pessoas. As empresas - públicas ou privadas - vivem actualmente num agitado período de revolução.
Quem estiver a par dessa realidade, verificará que o mundo do trabalho está, por conquência, em evolução. Muito rápida, aliás.

Um dos problemas que o mundo dos negócios enfrenta é um ambiente "volátil", carregado de desafios para os empresários, os executivos e os trabalhadores em geral, seja de que categoria e nível profissional forem.

As empresas têm de ser muito mais rápidas a decidir, a inovar, a adaptar-se a novos concorrentes, a novas formas de comunicação (internet, etc.), a consumidores mais informados e exigentes, a restrições mais severas (nomeadamente ao nível ambiental), etc. Tudo isto tem impacto nas empresas e traz novas exigências aos trabalhadores.
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Segundo o governo norte-americano mais de 75% dos actuais empregados dos Estados Unidos vão necessitar de receber nova formação para poderem manter os seus empregos. Estima-se que, dentro de 8 anos, cerca de 80% de todos os empregos exigirão algum tipo de formação superior. Problema (para os americanos e não só): as escolas não estão a preparar adequadamente a futura força laboral para competir na economia global. Este é o maior desafio do ensino nos próximos tempos. Nos Estados Unidos e não só, obviamente.
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O famoso consultor empresarial Tom Peters define o nosso tempo como a "Era Perturbadora" onde muitas das nossas ideias, crenças, práticas e atitudes perante o trabalho estão a necessitar de uma revisão urgente! Não é por acaso que o seu último livro tenha recebido, na edição portuguesa, um título esclarecedor: REINVENTAR O MUNDO!

REinventar a Educação! URGENTÍSSIMO!

De facto, o mundo transformou-se completamente mas o processo não terminou. As mudanças vão continuar por efeito do próprio progresso tecnológico e há que repensar tudo. Nomeadamente a educação.

Os "homens do futuro" - tema que estará na mente dos particpantes do 1º Congresso do Instituto da Inteligência - serão os nossos filhos. Estaremos a educá-los adequadamente para um tempo que diferirá muito do actual?

Esquecendo os velhos conservadores que pouco perceberam ainda do que se está a passar na vanguarda do mundo há que passar à acção e tomar decisões corajosas.

Para começar: o sistema da educação está MUITO MAL! É o sector mais atrasado da sociedade. É aquele que tem mais dificuldade em evoluir. Os Governos tentam apenas "reformar" o "irreformável" pois o sistema educativo foi criado na era industrial e não está muito diferente, apesar de todos os remendos realizados.

Voltando a Tom Peters. Escreve ele "Eu imagino (aspiro) a um sistema de ensino que reconhece que aprender é natural, que o amor pela aprendizagem é normal e que a verdadeira aprendizagem é apaixonada. Um curriculo escolar que valoriza as perguntas mais do que as respostas...a criatividade acima da regurgitação de factos...a individualidade acima da uniformidade...e a excelência acima do desempenho padronizado".

"Ora, diz ele, o sistema escolar é uma CONSPIRAÇÃO mal disfarçada para eliminar a criatividade". Mais: O SISTEMA DE EDUCAÇÃO É UMA ORGANIZAÇÃO DE SEGUNDA CATEGORIA, ESTILO FÁBRICA, A DEITAR CÁ PARA FORA INFORMAÇÃO OBSOLETA DE FORMA OBSOLETA!

Também Jimmy Breslin, colunista da Newsday, no seu estilo aberto e arrojado, vai mais longe e confessa: "
Quando passo por uma CADEIA ou ESCOLA tenho pena das pessoas que estão lá dentro!".
Mais ainda: "As salas de aulas são sítios absurdos, a não ser que sonhe com uma carreira como guarda prisional. Não têm nada a ver com o mundo real (actual)". "O problema -acrescenta Tom Peters - é que milhões de alunos nunca recuperarão dessa nefasta experiência".

Já anos antes o genial Alvin Toffler escrevera que "as escolas não estão conectadas ao futuro dos miúdos por quem são responsáveis".

Basta ver que metade daquilo que as crianças de hoje andam a aprender no 1º ciclo da escolaridade vai ser facilmente executado por robots quando elas forem adultas (in The Exteme Future").

Mas, pior ainda, é que, de acordo com a opinião de Frank Smith, líder do pensamento educacional e autor do interessante livro Insult to Intelligence, "a bomba-relógio em todas as salas de aulas é que os estudantes aprendem exactamente o que lhes é ensinado. DESENCORAJA um grande número de seres humanos de explorarem as coisas de que eles possam realmente gostar" e de que a sociedade do futuro (para onde eles caminham) vai exigir!
Nelson Lima (breve enxerto da sua intervenção no 1º Congresso Nacional do Instituto da Inteligência).

Mentes para o Futuro


Howard Gardner é mundialmente reconhecido pela sua teoria das Inteligências Múltiplas. É professor de Cognição na Universidade de Harvard, autor de 20 livros e detentor de 21 títulos honoris causa.
Sintonizando-se com os novos tempos, Gardner acaba de definir as 5 capacidades cognitivas que acredita serem preciosas (imprescindíveis mesmo) para todos quantos queiram ter sucesso na era da globalização. Vejamos, resumidamente.
1º A mente disciplinada:
Deve ser racional, lógica, organizada, metódica, consistente, orientada para a apreensão de novos saberes. Aplica-se na escola, nas aprendizagens, na educação formal, no trabalho. Exige método, disciplina, interesse em saber mais, autodomínio e objectivos precisos.
2º A mente sintetizadora:
É integradora, interdisciplinar, contextualizadora, multiperspectivista. Ajuda a que sejamos capazes de juntar os diversos conhecimentos, tirar conclusões e retirar delas novos entendimentos, uma melhor compreensão das coisas e dar consistência ao que retemos na memória semântica (a que regista os conhecimentos aprendidos de forma estruturada).
3º A mente criadora:
É divergente, inventiva, imaginativa, aberta, inovadora. Já hoje tornou-se num tipo de mente decisiva para os governos, as empresas e os diversos profissionais. A criatividade e a inventividade permitem a inovação - determinante para o futuro da sociedade humana.
4º A mente respeitadora:
É compreensiva, tolerante, aglutinadora, convergente. Exige inteligência social para que possamos ter o "outro" como pessoa interlocutora e que merece o nosso respeito. É a base das relações humanas equilibradas, sadias e construtivas.
5º A mente ética:
É valorativa, socialmente responsável, madura, altruísta. Visa a boa cidadania, a cultura de valores sociais e altruístas, pressupõe força de carácter e consciência social.
Todo este conjunto de estruturas representam tipos de mentes que serão precisas se se quiser - se quisermos prosperar nas eras vindouras e que exigirão competências que até agora eram meras opções, diz Howard Gardner.
Gardner defende que a nossa preparação e a dos nossos filhos para os novos tempos exige o aprofundamento daqueles tipos de mentes se quisermos ter os líderes, gestores, técnicos e cidadãos de que precisamos para povoar o nosso planeta.
Assim,- os indivíduos que não tenham uma ou mais conhecimentos (geridas pela mente racional) não conseguirão ter sucesso em qualquer local de trabalho exigente e estarão restringidos a tarefas menores;
- os indivíduos sem capacidades sintetizadoras serão subjugados pela informação e serão incapazes de tomar decisões sensatas acerca de assuntos pessoais e profissionais;
- os indivíduos sem capacidades criadoras serão substituídos por computadores e afastarão aqueles que têm chama criativa;
- os indivíduos que não sentem respeito não serão merecedores do respeito dos outros e poluirão o local de trabalho e o espaço público;
- os indivíduos sem ética produzirão um mundo desprovido de trabalhadores sérios e cidadãos responsáveis: nenhum de nós quererá viver nesse planeta desolador.

O homem do futuro


"O homem do futuro está ligado àquela questão mais essencial: somos a causa da criação ou uma das suas consequências? Todo o nosso futuro está contido nesta resposta, que nunca poderá ser formulada de outra maneira a não ser pela própria exploração da nossa dimensão de homem do futuro".
Jean-Paul Bertrand

Temos cérebro para enfrentar o futuro?

Denomina-se Psicologia Evolucionista. É uma área científica oriunda da biologia evolutiva que recebe contributos muito importantes da genética, da antropologia, da zoologia, da etologia, da ecologia comportamental, da arqueologia e da inteligência artificial. Está intimamente ligada à sociobiologia.
Para a psicologia evolucionista a mente é um conjunto de adaptações psicológicas, ou mecanismos psicológicos desenvolvidos ao longo da evolução humana que favorecem a sobrevivência e a reprodução.
Recentemente (Fev 2007), a revista Science et Vie publicou um excelente trabalho sobre a nossa capacidade de adaptação ao mundo actual - um mundo que tem sido profundamente marcado por sucessivas vagas de transformações técnicas, sociais e culturais (Alvin Tofler definiu três: a da agricultura, a da industrialização e a da informação). O estudo - que envolveu uma ronda por uma série de centros de investigação e reputados cientistas - alerta para o facto do nosso cérebro estar, afinal, preparado para um mundo que não sabemos como será mas sobre o qual muito se especula.
Eles apontam os comportamentos violentos, o gosto pelo risco e o medo de perder como alguns dos exemplos mais representativos das pré-disposições formatadas durante a pré-história do nosso cérebro e que ainda se conservam intactas.
Eis, por conseguinte, um tema que tem levado muitos cientistas a debruçarem-se sobre a história do cérebro. Na verdade, o cérebro humano está mais preparado para resolver problemas idênticos aos que se colocavam aos homens pré-históricos do que outros mais próprios de uma civilização social e tecnologicamente avançada. Isto porque, embora o desenvolvimento tenha acelerado nos últimos 150 anos, o cérebro não acompanhou essa evolução pois está igual ao dos hominídeos que viveram no período Pleistoceno (um tempo recuado da história situado entre 1,8 milhões de anos e 9 mil anos antes de Cristo).
Segundo os investigadores que trabalham em Psicologia Evolucionista, o cérebro do homo sapien sapiens evolui lentamente sendo necessários entre 20 mil e 200 mil anos para adquirir características biológicas novas provocadas pela pressão do meio.
Nem tudo são más notícias porque, felizmente, ele possui uma fantástica particularidade que nos ajuda na adaptação ao mundo: a neuroplasticidade sináptica, isto é, uma capacidade inerente aos neurónios que lhes permite serem activados ou remodelados através da "aprendizagem". Graças a esse processo, o cérebro é capaz de modificar as redes de neurónios mobilizando as células nervosas que estejam inactivas e criando e modificando as ligações entre si.
Ou seja, apesar da antiguidade das estruturas cerebrais, ainda há um grande espaço de manobra e por isso a sociedade humana tem-se mantido em constante transformação.
A verdade é que muitos dos nossos comportamentos de risco, medos, agressividade e outros que muitas vezes classificamos de "primitivos" e desajustados das sociedades ditas evoluídas não diferem daqueles que os nossos longínquos antepassados desenvolveram para serem capazes de sobreviver num mundo hostil e desconhecido. Continuamos a ser uma espécie violenta e agressiva em muitas situações do nosso quotidiano.
Então o nosso cérebro é igual ao que equipou os nossos antepassados de há 200 mil anos ou mais? É. Vai evoluir? Sim. Quando se farão sentir diferenças acentuadas? No mínimo, daqui por uns 20 mil anos ou mais...

A vida

"Onde quer e como quer que tenha acontecido, a vida começou há muito tempo atrás, tanto tempo que é extremamente difícil ter uma ideia realista em relação a períodos de tempo de tal forma incomensuráveis".
Francis Crick (1916-2004)
Físico e Bioquímico. Co-autor do Prémio Nobel da Medicina e da Fisiologia (1962)

Como nos tornámos numa espécie bem-sucedida

Dentro das espécies que nos precedram há milhões de anos, os indivíduos mais dotados, mais perspicazes, mais fortes, mais hábeis e mais inventivos influenciaram e determinaram o destino dos diferentes grupos de hominídeos. Os mais inteligentes tornaram-se nos líderes, nos empreendedores, nos inventores e nos descobridores que protagonizaram os pequenos avanços técnicos, sociais, políticos e culturais das sociedades primitivas.
Descendemos pois de espécies que certamente foram as mais vigorosas que sobreviveram às múltiplas dificuldades de sobrevivência no tempos mais recuados da pré-história.
Desses seres mais capazes não restam nomes mas apenas a marca da sua passagem através dos vestígios arqueológicos e das grandes transformações que provocaram no destino da Humanidade desafiando o determinismo biológico que durante milhões de anos aprisionou os hominídeos a uma vida dominada sobretudo pela mente instintiva.
Os conteúdos da nossa memória biológica datam de há mais de 25 milhões de anos - talvez mesmo 60 milhões de anos - quando os primeiros primatas (ou proto-primatas) surgiram nos territórios que actualmente constituem a América do Norte.
Segundo o professor de arqueologia e antropologia Paul Jordan (2001), duas inteligências datam desse tempo: a visuo-espacial (que permite compreender territórios e traçar percursos e rotas) e a social (facilitadora de relações interpessoais, da partilha, da cooperação e da coesão dos grupos).
Muito mais tarde, o crescimento do cérebro, acelerado por novas e necessárias aprendizagens e crescentes desafios ambientais e sociais, facilitou o desenvolvimento da criatividade e da capacidade inventiva, sobretudo a partir dos últimos 150 mil anos. Desde então o volume do cérebro humano atingiu os valores que ainda se mantêm. O aumento da capacidade intelectual passou a depender dos esforços de adaptação ao meio e das inovações culturais e sociais.

O que originou a inteligência humana?
Eis uma questão a que é difícil responder. Há apenas sinais, muito vagos, do que poderá ter acontecido. As explicações escasseiam pois o passado longínquo é um tempo desconhecido. Restam algumas pistas, alguns indícios.

Por exemplo, o bipedismo (que permitiu a marcha e uma visão mais vasta do horizonte) e posteriormente a linguagem originaram transformações radicais nas sociedades primitivas. Isto originou saltos qualitativos na evolução. Vários autores destacam a linguagem como o factor determinante para a inteligência humana.
Há cerca de 5 ou 6 milhões de anos, o aparecimento da cultura dos australopitecus originou algumas estruturas sociais essenciais, nomeadamente a ligação entre casais para reforçar a protecção, aumentar a cooperação na obtenção de alimento e assegurar a sobrevivência da espécie através de uma maior protecção das crianças.
Outra mudança extrordinária e vital deu-se há cerca de 2 milhões de anos quando, gradualmente, o tamanho do cérebro começou a expandir-se e tornou possível aumentar a capacidade de memória e de aprendizagem.
Para Edgar Morin (2000) a caça foi a grande impulsionadora da inteligência humana fazendo dos homens primitivos intérpretes de um grande número de estímulos sensoriais ambíguos e fracos que passaram a constituir sinais, indicações, mensagens, espevitando a inteligência, e "fazendo-a lutar por aquilo que há de mais hábil e de mais manhoso na natureza, o animal presa e o animal predador, pois ambos dissimulam, esquivam e anganam".
Já o professor Jonathan H. Turner (2003) defende que foram as emoções , ou
seja, o amplo leque de emoções de que o ser humano dispõe, que lhe permitiram desenvolver competências sociais, nomeadamente formas arcaicas de linguagem e, posteriormente, a fala, aumentando dessa forma a inteligência. Com efeito, a capacidade cognitiva necessária para se viver em grande grupos é considerável pois estes são instáveis, exigentes, feitos de indivíduos heterogéneos e, por conseguinte, exigindo de cada um várias aptidões como a memória, a capacidade de interpretar, compreender e prever as reacções dos outros, e a comunicação interpessoal.
Ao longo de muitos milhares de gerações o cérebro foi acumulando novas estruturas e desenvolvendo novas capacidades à medida que os humanos primitivos procuravam adaptar-se ao mundo hostil que os rodeava e para o qual tinham permanentemente de estar preparados para se defenderem.
A evolução da mente terá partido, por conseguinte, dos centros operacionais arcaicos (apenas necessários à sobrevivência) chegando lentamente às actuais estruturas cognitivas responsávais pelo pensamento e a auto-consciência.
Muitas questões mantêm-se, porém, em aberto. Na verdade, onde apareceu a nossa espécie? De quem descendemos, efectivamente? Como nos tornamos tão inteligentes ao ponto de transformarmos radicalmente a superfície do planeta Terra?
Bibliografia:
Jordan, P., O homem primitivo, Temas & Debates, Lisboa.
Morin, E., O paradigma perdido: a natureza humana, PEA, Lisboa.
Donal, M., Origens do pensamento moderno, FCG, Lisboa.
"Se existisse um tipo de raios X que permitisse observar o estado do insconsciente de um homem de 200 a 300 anos atrás e compará-lo ao do homem actual, descobriríamos uma enorme diferença. No primeiro indivíduo, ela estaria em repouso, no homem moderno, muito excitado e activo. Outrora os homens nem mesmo percebiam que tinham uma psicologia".
Jean-Yves Leloup

O princípio do Mundo


Quem somos? De onde viemos? De quem descendemos? Que percurso estamos a fazer? Para onde caminhamos?
Ao olharmos o mundo conhecido de hoje sentimos que, apesar da amplitude dos nossos horizontes e conhecimentos, encontramo-nos ainda sem respostas que nos satisfaçam plenamente. O nosso tempo de vida individual é muito curto e o da espécie humana também não é, em termos históricos, muito grande. Num Universo que tem muitos milhões de anos, a história dos humanos é curtíssima. E do passado mais longínquo não temos muita informação. Apenas vestígios e impressões, o que permite a proliferação de teorias.
Aos poucos, porém, vamos juntando bocadinhos de puzzles dispersos um pouco por todo o mundo. Lentamente vamos construindo uma imagem daquilo que poderá ter acontecido em tempos longínquos para que fosse possível à actual espécie humana despertar para a vida e impor todo o seu domínio sobre o planeta.
Até ao momento tudo indica que o último ancestral comum dos humanos e nosso parente mais próximo, o chimpanzé, surgiu, em África, há cerca de 6 a 8 milhões de anos. Antes dele, há cerca de 22 milhões de anos, talvez mais de 100 espécies de antropóides primitivos (de quem descendem os actuais chimpanzés, gorilas, orangotangos, gibões e "siamangs") vivessem na Terra. E os humanos primitivos ou proto-humanos?
Dos antropóides iniciais, a maior parte extinguiu-se há muito tempo. Parece, todavia, que um deles, o Afropithecus do Quénia deu origem a um grupo que saiu de África e se espalhou pela Eurásia através da actual Arábia Saudita.